quarta-feira, abril 11, 2007

O Suicídio dos Neurônios

Eduardo era um rapaz aparentemente normal. De fácil trato, hábitos simples e amigo da rapaziada. Sempre solícito, cordato, às vezes pedante; nem bonito, nem muito feio, estatura média, cabelos negros e curtos, magro. Aquele tipo que as mães consideram um bom rapaz, digo, inofensivo, e que para as outras mulheres passa totalmente desapercebido, invisível. Estudante do nível médio estava se preparando para o vestibular. Queria ser médico, um neurocirurgião. Famoso e bem sucedido, claro! Não que pertencesse a uma família tradicional de médicos ou quem sabe, de veterinários. De forma alguma; seu pai era comerciante, tinha um pequeno mercado no velho Brás onde trabalhava também a sua mãe e o seu tio caçula. Tinha duas irmãs menores, estudantes, vivas e extrovertidas. Falantes, sempre instigantes e melindrosas, agitadas ao extremo. Eduardo, pelo contrário, era tranqüilo, fala mansa, nem namorada tinha. Gostava de livros e era precoce para a sua idade; gostava de Machado e os beatniks. Ouvia no seu precário tocador de MP3 os noturnos de Chopin deixando-se sonhar com a misteriosa Capitu. Era igualmente misterioso de onde advinha este gosto tão peculiar, tão distante da mediocridade dos rapazes de sua idade, origem e com a sua formação. Era uma total negação para os esportes, qualquer esporte. Diria até uma inaptidão extraordinária para os esportes, assombrosa. Um verdadeiro "case", como apresentado em artigos de administração e gestão. Além disso, não era nem um pouco competitivo, apesar de gostar de videogames, sobretudo os relacionados à estratégia. Passava longas horas em frente à tela do seu computador, janela para um mundo privativo, onde delirava virtualmente em seu pequeno quarto. Lia avidamente as informações do mundo real, ouvia e conhecia músicas de diferentes partes do mundo e assistia a vídeos amadores e semiprofissionais de temáticas tão variadas, que absorvia com interesse instintivo, como uma enorme esponja. Queria poder viajar, conhecer diferentes culturas, conversar em outras línguas com pessoas de exóticos e distantes locais. Além disso, gostava de assistir a todo tipo de anime japonês, um tanto ingênuo e lírico, contrastando com a crueza dos filmes de tribunais, advogados e juízes, que acompanhando, tentava arduamente descobrir a trama juntando pacientemente as poucas pistas entreabertas por roteiristas manipuladores. Culpado ou inocente? Na maioria das vezes acertava o desfecho.

Complementava o seu tempo estudando. Sabia perfeitamente que o ensino público, decadente e abandonado, o deixava em grande desvantagem pela seleção punitiva do vestibular. Não acreditava nas lorotas de políticos em época de eleição e muito menos quando premiados pela ignorância, ainda que democrática. Sentia na pele, no dia a dia, a panfletagem vazia sobre a educação pública e as descaradas promessas de investimentos em programas consistentes e progressistas, imediatamente esquecidas após os votos coletados de seduzidos e enganados eleitores. Freqüentava as aulas do cursinho como os fiéis aos cultos religiosos. Percebia com lucidez a enorme lacuna provocada por anos inconseqüentes de aulas desperdiçadas por professores despreparados e exaustos a cumprir um programa inadequado; a exibir continuamente a ausência de recursos didáticos e as suas próprias deficiências. Mas tudo isso não o impedia de acreditar em um futuro melhor; era por natureza um otimista. E para isso se dedicava a superar o seu histórico estudantil sofrível. Gostava especialmente de conhecer a química e a biologia, matérias com as quais se identificava. Sentia certa dificuldade no formalismo das fórmulas e equações químicas que traduziam os conceitos facilmente assimilados e, em particular, dos nomes impronunciáveis da infinidade de bactérias, vírus e espécies apresentadas em uma complexa classificação, muitas vezes cansativa e desestimulante. Eduardo realmente contava com um currículo inicial, no mínimo curioso, de um rapaz aparentemente normal.

De tudo que lia na Internet, o que mais o interessava, objeto de seus estudos e leituras, eram os neurônios. Tinha uma fascinação especial e inexplicável por estas células que habitam em nosso corpo, tal como uma gigantesca comunidade de formigas, formando o que as suas apostilas de cursinho denominavam sistema nervoso. Intrigava-o como funcionava o mecanismo, aparentemente caótico, de como bilhões de minúsculas entidades processavam e encaminhavam as informações necessárias ao restante do corpo de uma forma organizada e síncrona. Sem colisões ou perda de qualidade dos dados em uma indescritível teia de aranha multidimensional, quase infinita. Via estes agentes, de óculos escuros, quase secretos, responsáveis pela transmissão de mensagens específicas através de processos eletroquímicos, ativando e contatando inúmeros centros de informação, responsáveis pela distribuição de códigos, altamente secretos para os seus destinatários. Individualmente, o neurônio-agente ilustrado em seus apontamentos, se parecia com um alienígena apavorante. Possuía uma cabeleira de dendritos que lembrava uma Medeia de um único olho, que a tudo via e processava. O esbelto axônio, responsável pela condução dos impulsos nervosos, formava o restante do corpo desta figura bizarra. Coletivamente, pareciam estar em uma frenética festa embalada incessantemente por um fluxo de drogas, sexo e rock’n’roll. O prazer orgástico resultava em sinapses de altíssima tensão na comunhão de agentes que pareciam ser escolhidos aleatoriamente. Embora nesta festa todos os agentes se assemelhassem e pertencessem à mesma corporação, eram designados para distintas missões, críticas e altamente especializadas. Mas dependendo das condições adversas destas missões poderiam assumir diferentes funções. Este cenário era para ele particularmente fascinante. Passava horas estudando. A cada nova descoberta tornava um pouco mais nítido o filme que se delineava em sua mente. Para isso, às vezes usava recursos de computação gráfica, outras vezes, personagens de anime japonês. Quando seriamente questionado, visualizava as cenas de tribunais com um agente seu como réu. Entretanto, uma coisa o preocupava: os neurônios não se regeneram, isto é, enquanto outras células são renovadas, os neurônios existentes são os mesmos que possuíamos quando mais jovens. Além disso, à medida que envelhecemos os neurônios vão morrendo. Era difícil de acreditar na destruição dos seus pequenos amigos, verdadeiros agentes em áreas essenciais do organismo, responsáveis por manter a capacidade de planejamento e por centros que controlam a percepção de estímulos sensoriais. Como resultado prático percebia que, de modo geral, as pessoas mais idosas tinham maior dificuldade na memorização de fatos, nomes e lugares, menor velocidade no processamento e associação de informações, raciocínio lógico e outras disfunções potencialmente provocadas pelo desaparecimento de neurônios e pelo enferrujamento dos contatos que provocam as tais sinapses: a deterioração progressiva do sistema nervoso central. Como resultado crítico deste processo, associava doenças assustadoras, tais como Alzheimer e Parkinson. Claro que este assunto era polêmico, muito longe de algo definitivo. Lia que estudos recentes, feitos por pesquisadores sérios ao redor do mundo, estavam indo de encontro ao dogma da morte continuada dos neurônios ao longo da vida. Mas por precaução e por todo este contexto que se apresentava é que Eduardo decidira cuidar de seus queridos neurônios afastando-se de qualquer tipo de droga ou substância química que pudesse comprometê-los. Estava também decidido a exercitá-los mantendo-os dispostos e saudáveis. Componentes de uma máquina fantástica que aprendia a cada dia a respeitar e a admirar mais. Gostava daquilo que estava alojado em sua cabeça. Dormia desta forma tranqüilo. Reorganizava todo o seu arquivo de dados e emoções nos escaninhos do seu cérebro e os disponibilizava para o dia seguinte.

Por outro lado, tratando-se do seu particular organismo, os seus hormônios estavam em franca ebulição e clamavam desesperadamente pelo contato com o sexo oposto. Entretanto, tinha uma dificuldade incomum com as garotas de qualquer espécie ou tribo. Talvez, as espinhas que eclodiam em seu rosto, como pequenas erupções em solo árido de rala vegetação, colaborassem para a construção da barreira invisível que automaticamente se formava ao interagir com um ser feminino. Como todo adolescente, estava envolvido até a medula do seu ser com a auto-afirmação que brigava diariamente com a sua insegurança e pouca auto-estima. E neste caso, os seus amigos neurônios de nada lhe serviam. Possuía, sem dúvida, um conteúdo acima da média, mas o que realmente o atrapalhava era a sua interface, muito longe do monitor sofisticado com milhões de pontos coloridos e do sistema de som de alta-fidelidade que comprara economizando mês após mês fazendo alguns bicos aqui e ali. Para completar este triste quadro era avesso às festinhas e baladas caçadoras para as quais os seus amigos pseudopredadores insistiam em convidá-lo. Este comportamento estranho acabava por isolá-lo nos períodos noturnos que desfrutava mais e mais na companhia de seu computador. Atravessava noites seguidas, insone. Seus pais naturalmente não gostavam de vê-lo em seu quarto hipnotizado por telas com hieróglifos egípcios que seguramente não compreendiam. Insistentemente queriam que participasse mais da vida familiar se envolvendo com as tramas da novela das oito, indignando-se com as notícias do Jornal Nacional ou torcendo por um dos participantes do Big Brother... Suas irmãzinhas se deliciavam, juntamente com sua mãe, em ler e discutir a vida das celebridades estampadas nas revistas Caras, Contigo e Comigo. Passavam horas discutindo o visual das peruas e "bunitões". Atores, cantoras, modelos faziam parte da realidade feminina da casa de Eduardo. Para contrabalançar, seu pai conhecia todos os times de futebol, jogadores e técnicos, os resultados dos cinco últimos campeonatos regionais e nacionais. Além, é claro, do desenrolar do futebol italiano, inglês, francês, alemão, turco, coreano, árabe... Futebol globalizado e total. Mantinha no seu "escritório", nas paredes desbotadas e descascadas, tabelas de todos os campeonatos em andamento. Cartazes de um bando de marmanjos, enfileirados e abraçados, idolatrando uma bola sob as suas chuteiras. Uma verdadeira central de informações futebolísticas, da qual se orgulhava e, como especialista, exibia o seu conhecimento entre uma cerveja e outra, rodeados de outros especialistas, amigos seus, no bar do Bilbo.

Numa das inúmeras tentativas de se achegar aos seus familiares e participar destas atividades afetivas percebeu em uma noite, com grande surpresa, que ouvia alguns gritos tímidos, sufocados. Olhou ao redor assustado e percebeu que estes gritos aumentavam em intensidade e desespero na medida em que as conversas se tornavam acaloradas. A princípio pensou estar imaginando coisas e, concentrado em repetir a experiência, desligou-se das conversas dos seus familiares, da televisão que a todos enganava. Nada mais ouviu. Perturbado, subiu as escadas para o seu quarto, se jogou em sua cama e retomou a sua amizade pelo Bentinho. Adormeceu tranqüilo.

Na manhã seguinte não se lembrava mais da bizarra sensação da noite anterior. Tomou apressadamente o seu café e, quase correndo, pois estava atrasado, se dirigiu ao ponto do ônibus que o levaria ao cursinho. Logo ao entrar, sentou-se ao lado do Paulo, seu colega de turma, de costas para a janela do ônibus que seguia rápido pelas ruas do seu bairro. Começaram a conversar sobre as inscrições que fariam para o vestibular, as datas das provas, a insegurança da reprovação. Inabaláveis expectativas de um futuro solar. Seu amigo sabia que não gostava de chicletes, por isso abriu um tablete e, sem oferecê-lo, o arremessou boca adentro, de forma deselegante e juvenil. Instantaneamente, começou a ouvir gritos abafados e agudos, os mesmos da noite anterior. Olhou assustado para o seu colega que, sem nada entender, continuou a massacrar o seu chiclete rosa-grudento, escancarando a sua bocarra; agora fixava o seu olhar em um par de avantajados peitos pertencentes a uma morena em pé a sua frente. Chacoalhavam, oprimidos pela rede de uma blusa de lycra vermelha tentando escapulir por um decote generoso que deixava antever um precipício profundo e delicioso. Apesar dos ruídos lamuriantes, Eduardo também se solidarizou com a dupla aprisionada e desejou ardentemente que fossem libertados. Infelizmente, a morena de olhos astutos retribuiu seus inflamados olhares com uma atitude repressora, gélida e implacável, quebrando de vez aquele momento encantado. Agora novos gritos desesperados chamavam a atenção do pobre Eduardo. Do banco perpendicular ao seu um rapaz de óculos e gravata frouxa lia concentrado. As lamentações pareciam originar de dentro da cabeça deste atento leitor. Nada compreendia, mas num relance provocado pela sua curiosidade viu a capa do livro identificando-o: o preferido das eternas candidatas à Miss Brasil. Lembrava disso, pois no dia anterior sua irmã Joana havia comentado com certo despeito, o porte destas cinderelas deslumbradas que contrastavam com o declarado micro-cérebro ou, quem sabe, impressionante sagacidade não declarada. O ardente desejo pela paz mundial, expresso por todas elas em entrevistas ocas e didáticas, reforçadas pelas descobertas transcendentais de um autodenominado mago com conhecimentos de alquimia, considerado um fenômeno literário. A mesma forma pneumática sem conteúdo. De certo havia uma forte conexão entre as beldades de concursos incompreensíveis e o jovem leitor do ônibus. Começou a achar graça destas suas associações e das copiosas lamúrias que ouvia. Era surreal, mas engraçado. Imediatamente compreendeu, que ao seu redor, em maior ou menor intensidade, ouvia estes gritos agudos, que mais se pareciam com sons de donzelas desmaiando. Parou de se perguntar pelo inusitado da situação totalmente ignorada pelo seu companheiro de percurso. Agora, prestava atenção no que as pessoas faziam, priorizadas pela angústia dos gritos desvanecentes no interior do ônibus. Os mais ruidosos e doídos eram provenientes de um rapaz de agasalho esportivo próximo à porta de entrada que se chacoalhava de modo hilário. Fazia também movimentos com a boca, fechava os olhos e de vez em quando se contorcia como se estivesse possuído por uma entidade maligna. Já assistira a alguns filmes deste tipo, todos horríveis. Percebeu, então, que dos ouvidos daquele ser enfeitiçado saíam fios brancos que se esvaíam misteriosamente por dentro de sua roupa. Era como se fossem finos tubos irrigados por algum tipo de soro venenoso que inundava as suas orelhas. Misturados aos lamentos identificou inúmeros ruídos: palavras soltas sem sentido, guinchos, algum tipo de percussão selvagem; tudo isso embalava a triste figura que revirava os olhos em aparente transe. Pensou com certa ironia em como as pessoas mantinham uma relação masoquista com elas mesmas e como se maltratavam em diferentes níveis.

Do lado de trás deste micro universo penitente seus olhos convergiram para uma freira que lia fervorosamente o pequeno livro negro. As pessoas da tribo religiosa sempre foram intrigantes e sombrias para Eduardo: monges carecas de sandálias, freiras com trajes islâmicos intransponíveis, muçulmanos com turbantes e extensas barbas, ortodoxos em preto com trancinhas e chapéus. Embora a sua família pertencesse à religião "católica não praticante", não possuía laços estreitos com qualquer tipo de ritual cristão. Nem sequer se lembrava de rezar ou sentia falta de crenças de espécie alguma. Era uma pessoa do bem e evitava prejudicar qualquer ser vivo. Simples, efetiva. Encarava com exotismo e simples curiosidade as imagens de monastérios, mesquitas, templos e pagodas, sinagogas e catedrais espalhadas pelo mundo que reuniam multidões em busca de algo exterior para lhes preencher a mediocridade do cotidiano, a fornecer esperança por dias melhores, a fé inelutável em uma alma, espírito ou algo similar, essencial e imortal. A crença inabalável em um ser superior, justo e acima de todos os homens que, em algum momento da eternidade, vá punir os maus e premiar os bons em esferas etéreas como o inferno e o céu. E na sua momentânea e concentrada divagação admirava a criatividade das pessoas na construção de mitos e ídolos, absolutamente perfeitos, para serem amados e entronizados. Moldados minuciosamente através de estórias e parábolas, reinventadas e aprimoradas, geração após geração, com feroz determinação. Aterrorizando, desde a tenra idade, com a culpa pela imperfeição, punindo exemplarmente, manipulando descaradamente. A verdadeira trava ignorante do progresso social; inibindo o pensar, o questionar. O contra-argumentar baseado em evidências científicas e históricas. Usando o raciocínio, puro e complexo, ao contrário do exótico e simples acreditar. Estimular apenas as suas respeitosas células cinzentas. Induzir a intensas e saudáveis sinapses de seus amigos neurônios. Mas ao mesmo tempo, e perfeitamente compreensível, a necessidade pelo reconhecimento de ser o humano, um ser especial, imortal; acima da finitude inquestionável. Limite da morte sombria e injusta. Punitiva e humilhante. Coloca em evidência o processo evolucionista das espécies e a magnitude de sua importância. Mas, o indivíduo perece, fornecendo a sua contribuição seletiva ao seu coletivo. É razoável, porém angustiante, insuportável. É natural que equipes intercorporais desenvolvam uma solução alternativa verossímil, vendável por todas as religiões em diferentes embalagens, sedutoras de acordo com cada doutrina, modelada pela herança cultural de cada povo: a alma. Uma digna resposta unificadora, reconfortante e libertadora. Talvez iniciada nos tempos imemoriais pela aguda tristeza sentida pela perda de entes queridos. A impossibilidade de reencontrá-los, de revivê-los apenas na lembrança infiel dos que partilharam de momentos comuns. O egoísmo da dor pela ausência das pessoas amadas. A visão da própria morte, do ponto negro final.

Naquele momento, ao olhar a solitária freira, era evidente que Eduardo não teorizava ou fazia qualquer análise desta natureza. Apenas sentia o ambiente do interior do seu ônibus diário; observava as pessoas, posturas e ações, tentando adivinhar a história de cada uma delas, imaginando as suas alegrias e privações. Apenas os gritos abafados e próximos distraíam os seus pensamentos. Já estava se habituando. Eram gritos e gemidos de seres que desfaleciam com grande sofrimento, desapontamento e angústia. De morte aos soluços. Talvez fosse um atributo que o candidatasse ao próximo passo na evolução. Uma alteração genética de origem desconhecida. Como na série "Heroes". Divertiu-se com este pensamento. Poderia também embarcar nesta idéia e fundar uma nova religião: heróica evolucionista ! Desenhava seus novos trajes... ouviu a própria risada, espantado.

De repente virou o seu rosto. Paulo lia um exemplar do Spawn ao seu lado. Ainda faltavam uns vinte minutos até o seu destino imediato. Respirou fundo, e a mando dos seus vorazes hormônios, voltou então a se concentrar nos movimentos hipnóticos dos peitos fugitivos daquela morena deliciosa à sua frente. Sorriu e, imediatamente, deixou de ouvir os neurônios suicidas....

1 Comments:

At 8:07 PM, Anonymous Zappi said...

Legal, Neury! Vou por um link para este também...

Um abraço

 

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